segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Valeriana

«True Colors»

É preciso rasurar as velhas fotos, pintando os fundos vazios e ocultos entre os pensamentos e as chaves velhas. Eu encontrei aquela velha carta que tu me enviou e não entendo, sei do que queres dizer, mas não obstante o tom, a fivela aguda lacerando meus lábios desejos de um pouco mais do que palavras. A saliva que escorre raivosa, não. A prisão se faz presente, não sei correr no vasto labirinto de prédios e nuvens. Talvez pudesse levantar da cama. Só talvez. O banho talvez ajudasse a compor um sonho. Insisto em não querer te encontrar, por isso mudo meu caminho e meus endereços. Eu apenas sei correr. Correr e saltar as barreiras tomadas como negros abismos feitos dessa dor devagar. Eu tenho tempo para o tempo, ainda assim as memórias só se fazem ao compor o meu mal. Pensar em outra coisa te escondendo atrás do meu pensamento. Eu não sei sentir este doce que havia leve no teu sorriso. A cicatrizes, a sombra nas pálpebras. Não sinto o gosto da festa exalando das pelas. Devoro meu tempo dobrando páginas e selando envelope. Faço minha vida das cores, desta palheta limitada de cores. Não quero abrir as janelas, singrando o mares, respirar faz o peito doer. A loucura não é estar aqui, mas o porquê de ainda me colocar aqui. Meio que sem querer. Abra a mão, aceita e guarda esta minha última oferta. Um abraço, antes de dormir. Uma cantiga de ninar com brilhantes roubados, trançando os cabelos com os sonhos. Quebrando a chave na fechadura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário