quarta-feira, 30 de junho de 2010

disto ainda, agora

para quê servem estes pincéis diante de teu corpo desnudo. um meteoro risca o céu. eu queria apenas este céu e seu. eu não posso, não agora, não assim. eu apenas te olho. queria tanto. mas você, aí. aqui apenas o silêncio, a tosse em nada romântica e os delírios. como será meu bebê? como escrever ainda aquele outro poema? promete não me deixar aqui, ainda nesta torre, meio princesa, meio em marfim, quase caindo no abismo. há dor. mas ainda há este movimento. o relógio distante dizendo que sim e que não. você vem? você virá? tão incerto. mas há sangue na cena, sangue quente e palpitante em mim. desenho o fundo do teu olho, ali onde este aqui reflete e grita. eu digo e repito seu nome. preencho as lacunas. o que é um nome? quem é você? quem é você para mim? o que faremos amanhã? te encontrarei mais alguma vez nestas linhas. como se diz isso em italiano. como lembrar aquela palavra, aquela, sempre primeira, sempre esquecida. lembro de um romance de Jacques Chardonne, 1937, você não deve ter lido. O importante é sempre este título, mais do que suas imagens. L'amour, c'est beaucoup plus que l'amour. você entende isto? não consigo sair da biblioteca e penso em ti, penso em francês, mas penso em ti tanto e ainda. L'amour, c'est l'âme qui ne meurt pas, qui va croissant, montant comme la flamme. Guérin. poderia ensaiar um movimento para além da minha filosofia, mas meu pé dói, não consigo dançar e sem voz não posso cantar. escrever é a única possibilidade, sem garrafas ao mar. não sei se gosto de Lamartine com seu Détache ton amour des faux biens que tu perds. eu preciso disto ainda, deste sussurro ainda. desta força. me sustenta num primeiro beijo?

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