quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ao puro de coração

Não tem brilho nem estrelas. Deve ser por eu te ver como poucos: simples, seco, sem frivolidades. Vai bem além do menino minado que se esqueceu de crescer e ainda diz: “eu quero mãe, e quero agora!” É o intelectual forte que te permite errar um ou dois argumentos, mas depois de esmaga, sem crueldade (mas com sarcasmo), com o peso infindo dos anos de leitura.

O que nós sabemos o que eu me permito saber, é que as borboletas no estômago foram devoradas pelo suco gástrico e que a grande maioria das pessoas não sabem esperar as coisas acontecerem. E como um cisne negro que chora lágrimas de cristal, você dança por entre as tristezas tirando delas o que ainda é concreto e depois renasce como uma fênix talhada em outro e pedra.

Que força é essa que na simples menção transforma a escrita e traz palavras que, quiçá, vão permanecer para sempre? É a força que nos eleva num espiral vertiginoso e depois nos lança fracos e nus sobre as ondas do mar. Força essa que nem depois de oito estações perdeu o ímpeto de revelar e iluminar.

Quero que prossiga não em pessoa, mas naquele que você representa. Um pacto de sangue negro e azul; a dança da bailarina cega sobre uma corda num penhasco. Prossiga aflito nas nossas mentes nos inquietando com seu discurso: “já é madrugada! Acorda, acorda, d’accord, d’accord...”

Et une jour sur un portrait noir et blanc, je vais ecrit: “no coração fiz um amigo e para vida o cultivei.”
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Florianópolis, 19 de janeiro de 2011.

Vinicius Neri

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