sexta-feira, 17 de abril de 2009

Depressão de Luxe

entre os cálices de champagne
as pérolas rolavam
flocos de neve sob a madrepele de concha virgem
nos olhos o fundo rasgado da maquiagem noturna
assinada por Lancôme, Dior ou algum homeopata da esquina
e como sombra dobrada e posta no bolso
de trás da calça jeans
rescostada na cortina que ocultava a parede que continha uma janela
que se rasgava toda pra um ponto entre torres
entre Paris e NY
em um ponto que se perdia e oscilava
(um poema que se perde)
e se varria
e como jato
dejeto pessoal
corria
neste campo aberto de ponte aérea
e chorava os brilhantes comprados
ainda no seu veludo vermelho
de sonho e sangue
e na fome que tinha que não ter
copava os lápis e copiava as taças
e em gestos amplos
diminuia
cada vez mais salgada
mais morta
no mar de diamantes
flácidos
e assim na vazão da banheira
entre os barbitúricos e o whisky
sua alma adolescente de 14 anos
num corpo já.... já... agora... e de novo...
o vinho se misturava com o sangue
os olhos bobos com a baba de moça
e sorria
despencando
sôfrega
nas palavras suspensas.

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