Aqui estou eu me metendo também em fazer campanha e é campanha deste espaço que já dura algum tempinho. E desta vez a culpa nem é minha é do @samukaraulino que encontrou o prêmio e achou que eu tinha naipe pra competir. Aqui estou.
Então migs, se você quer dar uma forcinha pra este amigo pseudo-artista...
dá um ou vários votinhos aqui VOTE NO EV que depois eu agradeço muito mesmo.
então, bora me ajudar na campanha?
coraçãozinho S-2 s-2 pra quem tá na luta!
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O desejo é um frio escuro no dia
Resigno-me. Desisto. Não escrevo mais. Eu desenhei um vestido que não me serve, nem me pertence. My own brain is to me the most unaccountable of machinery—always buzzing, humming, soaring roaring diving, and then buried in mud. And why? What’s this passion for? Meus garranchos são incompreensíveis. Você caberá dentro desta prosa frouxa? Não diga seu nome. Nunca diga. É perigoso quebrar o silêncio.Por que você me trouxe aqui para dentro deste quarto? O parque aberto, o vento, o lago dos cisnes. Eu preciso te explicar algo. Não te movas: olha para o foco, mostra o rosto, sorria para os olhos que irão ter em mãos esta fotografia. Cansei de preparar os meus lencinhos para uma crise dramática de lágrimas oceânicas que nunca chega, mas esta gripe apenas fica, com seus resfriados, febres e tremores. Écart saisonnier: sempre há risco de precipitações.Eu quero que você saia daí. Escrever é algo sexual, não? A folha dura chupa a tinta. Na violência há algo que sempre respinga e alguém que fala demais. Não, não me desculpe. Now regarded as a classic feminist work. Sem pinturas e pichações no quarto escuro. A mão que pousa sobre a coxa não marca a pele. Atende este telefone garota. Agora, não atende mais. O que diz este livro que você lê enquanto anda? Eu queria entender um pouco mais destes signos e destas rugas. Não faz muxoxo, abre as pernas ao médico.Ele não tem desejos como eu. Eu sempre guardo "aquilo", você sabe "onde". E tenho que escrever, mas não posso mais. Que música diz de agora? Eu não digo eu aqui. É sempre a mesma história do menino de recados. Você m'entende?
The above biography is copyrighted. Do not republish it without permission.
Uma dor oitavada
(bem à Manuel Bandeira)
Tosse. Tosse. Tosse. A sede torce o corpo. Um piano rouco ao fundo. O rosto preso a cama. O travesseiro úmido. A distância abrindo as veias. O suor abrindo oceanos. Febre. Febre. Febre. O que você diria doutor-todo-alucinação? A mágoa roída na unha do dedo mínimo. Tenta um grito em três tempos. Um filete de sangue escorre por um dente. O gosto amargo é passado e não futuro próximo. O futuro diante da janela, você não entenderia, mas as alucinações são sempre belas. Não há o sofrimento do poeta. A apenas o fato se fazendo imagem. O que dói nos pulmões não se imprime nas palavras. Os lápis se misturam. As mãos se trocam. Impossíveis os doentes mágicos. Pílulas coloridas se distribuem em copos plásticos. Nada combina. Não gosto das verdes. Não é tão fácil assim: cruzar as linhas da paisagem para vencer o mapa. Sem perspectiva. A vontade indizível de chorar, mas resta o grito sem voz, com a noite pondo areia nos olhos. A paixão está nas vírgulas. É cada vez mais difícil escrever. Não que seja algo sensato, inteligente ou com sentido. Simplesmente, escrever é o difícil. A mente dolorida, o corpo pesado, insiste em cair para fora da página. A paixão está nas vírgulas, mas e o amor? Quando você fala comigo algo lateja. Queria poder ceder ao jogo. Há a neurose. Sem todo amor que houver nesta vida. Desistir talvez conforte. Como você se sentiria se fizessem uma lavagem cerebral no seu melhor amigo? Sem complexos de culpa, vítima de críticas destrutivas com uma larga coleção de mágoas e coisas impossíveis de serem ditas. Há algo que falha. Quando você escreve pra mim algo palpita. De resto, respire, suspenda. Os livreiros e editores são sempre muito necessitados. Eu não consigo escrever tua carta. Troco as letras e não me sinto bem. Nada é tão simples. Dobrando as esquinas, é meia-noite ainda, quem me abraça são meus próprios braços sombrios. Sono. Sono. Sono. O que escoa e escorre, arde. Disto que enrijece com o silêncio e vai se perdendo pouco a pouco. Eu queria não ser tão fácil. Eu queria não ser tão lógico. Parar de admitir as coisas e seus lugares. O inverso de si. O impossível como aberto. Como porta-aberta. É preciso dar boa noite. Sem contos de fada. Na esquina, o vento que dobra, assovia. Amanhã quem gritará as horas?
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Modista
Pois bem, em alguns momentos é preciso mudar de carreira, não é mesmo? Aqui vai a primeira missão, exigida por ninguém menos que @oliviapasouza, além é claro das discussões infindas (e cheias de feminilidade com @francageorge e @lamaringoni) de uma tentativa de incursão criativa. Explico: a cara @oliviapasouza intimou-me a fazer um vestido pra ela, agora estou eu aqui envolto entre tintas, idéias, tecidos, agulhas e linhas.
Nesta brincadeira, para satisfazer aos desejos da "criente", selecionei minhas linhas-mestre, a saber, Valentino, Saint-Laurent, Dior, Tom Ford, Chanel, Givenchy, Gaultier, Balenciaga, Versace, Lacroix, Dolce & Gabbana, Marc Jacobs, Ralph Laurent, McQueen e McCartney, pra sobre elas, desalinhando os mestres, tentar algo...
O que vai aqui, ainda sem colorir e sem decidir tecido e nada mais é apenas um teste. Quem sabe? Não é mesmo? Entre Givenchy e Saint-Laurent, ao invés de grafar Yves, grafei Evy e foi isso o que deu.
Depois posto os outros e dependendo do que acontecer também fotos da coisa materializada...
Aguardo "sinceras" opiniões.
Доктор Живаго
(A hora da estrela de cinema)
Qual a manchete de hoje? Finjo que não sei. (Criança revoltada com Sherazarda que sempre continua a história). O que gira e abre na pista, no rosto estranho, no reflexo de estanho dos espelhos. Haveria a força do beijo aqui? O beijo que sacia está tão longe e em silêncio. Meu corpo é que lacrimeja em dores. Desta feita minha margarita não voou pelo salão. Os olhos que encontrei. Os corpos em que esbarrei. É preciso aprender a mergulhar nas garrafas e nos copos, fugindo do contato dos corpos, destes que querem te morder, que querem apenas o corpo no seu mais quente lateral, o corpo sem nome. Uma dose de tequila não faz do corpo uma marmita, destas que você leva para comer em casa. Meu amor, você fugiria de mim? Longe, bem longe, quase de madrugada, ao longe, é possível ouvir os sinos catedral e o canto gregoriano murmurando na distância. Se tu soubesses como eu posso ser carinhoso. Corro de todas as moças. Tudo é um risco. Lembro-me de uma garota estranha, certamente confusa, que veio de leve, sorrindo, copo confundindo o corpo na mão, seios afoitos, conversar comigo. Sorrateiramente me pediu um beijo. Impossível. Não há mulher que enfrente minha imagem refletida no espelho torto que se abre turva e oblonga no fundo de um copo de gim tônica. E eu nem falei francês e nem mesmo caí no abismo. O ego suicida ainda se sustenta, equilibrando-se no parapeito, trinta andares acima do solo, só esperando um analista gritar “pula!”. É o cinema, bem à Almodóvar, que me engole, cheio de cores e perfumes. Mas seu diretor preferido começa com F… minha memória é apenas 8/2 da tua. “Este telefone está programado para não receber chamadas”. É meu costume obedecer. A última vez que fiz minha barba foi pra ti, para que descobrisse meu rosto, além desta máscara inteligente e quase pensante que se cola muitas vezes, como uma máscara de papier-maché feita de obras raras. Tônica, rum e suco de limão. Hoje eu sonhei que corria por um corredor largo, cercado de quadros, buscava sua mão e não encontrava. Havia no corredor tantos outros. Tantos. Um engenheiro elétrico punha luzes no caminho, outro com uma jóia Tiffanys falava, mas era impossível de se ouvir, estranhos e estrangeiros. Como Holly-Audrey eu roubava máscaras, mas não me fazia cão ou gato. O pesadelo me deu nojo, você sabe que odeio vomitar. Parecia que a noite se desdobrava em duas. Duas longas noites. O meu mar tornado texto não tem segredos, é pura calmaria, mas não sei nadar. Quando o amor estará em perigo? (A sapatilha se suspende nas fitas e faz ponta sozinha: como confiar neste equilíbrio mudo que dói e sempre insiste no sangue?) O que diz a tatuagem que fiz na tua pele? O uísque cowboy é chave da noite, carregando poeira e calor nas botas. Os vaga-lumes bancando estrelas no quarto. Os insetos podem ser poéticos. Meu peito dói todas as noites, sinto que enfartaria, não tivesse apenas vinte e dois anos apenas. O que é que pesa aqui? Letras demais sem mulheres nuas. Uma taça de champanhe engana o paladar, fingindo um beijo em bolhas e brilho diamante. O que é que dói aqui ainda, não é o que mamãe sonhou, não são as dores das horas diante do grande espelho, alongando à barra, sempre buscando o movimento perfeito, sempre mais ao longe, ao longe, quase tocando o outro lado de mim, o outro lado do espelho, dançando uma valsa suspenso alguns segundos ao ar, quase voando. O joelho, as coxas, as costas, os músculos doloridos. Tenho medo da possibilidade de esquecer de ti. Permitiria isso? E eu, ainda, sempre continuo insistindo aqui. Mas onde é mesmo que eu cheguei sem chegar?
Qual a manchete de hoje? Finjo que não sei. (Criança revoltada com Sherazarda que sempre continua a história). O que gira e abre na pista, no rosto estranho, no reflexo de estanho dos espelhos. Haveria a força do beijo aqui? O beijo que sacia está tão longe e em silêncio. Meu corpo é que lacrimeja em dores. Desta feita minha margarita não voou pelo salão. Os olhos que encontrei. Os corpos em que esbarrei. É preciso aprender a mergulhar nas garrafas e nos copos, fugindo do contato dos corpos, destes que querem te morder, que querem apenas o corpo no seu mais quente lateral, o corpo sem nome. Uma dose de tequila não faz do corpo uma marmita, destas que você leva para comer em casa. Meu amor, você fugiria de mim? Longe, bem longe, quase de madrugada, ao longe, é possível ouvir os sinos catedral e o canto gregoriano murmurando na distância. Se tu soubesses como eu posso ser carinhoso. Corro de todas as moças. Tudo é um risco. Lembro-me de uma garota estranha, certamente confusa, que veio de leve, sorrindo, copo confundindo o corpo na mão, seios afoitos, conversar comigo. Sorrateiramente me pediu um beijo. Impossível. Não há mulher que enfrente minha imagem refletida no espelho torto que se abre turva e oblonga no fundo de um copo de gim tônica. E eu nem falei francês e nem mesmo caí no abismo. O ego suicida ainda se sustenta, equilibrando-se no parapeito, trinta andares acima do solo, só esperando um analista gritar “pula!”. É o cinema, bem à Almodóvar, que me engole, cheio de cores e perfumes. Mas seu diretor preferido começa com F… minha memória é apenas 8/2 da tua. “Este telefone está programado para não receber chamadas”. É meu costume obedecer. A última vez que fiz minha barba foi pra ti, para que descobrisse meu rosto, além desta máscara inteligente e quase pensante que se cola muitas vezes, como uma máscara de papier-maché feita de obras raras. Tônica, rum e suco de limão. Hoje eu sonhei que corria por um corredor largo, cercado de quadros, buscava sua mão e não encontrava. Havia no corredor tantos outros. Tantos. Um engenheiro elétrico punha luzes no caminho, outro com uma jóia Tiffanys falava, mas era impossível de se ouvir, estranhos e estrangeiros. Como Holly-Audrey eu roubava máscaras, mas não me fazia cão ou gato. O pesadelo me deu nojo, você sabe que odeio vomitar. Parecia que a noite se desdobrava em duas. Duas longas noites. O meu mar tornado texto não tem segredos, é pura calmaria, mas não sei nadar. Quando o amor estará em perigo? (A sapatilha se suspende nas fitas e faz ponta sozinha: como confiar neste equilíbrio mudo que dói e sempre insiste no sangue?) O que diz a tatuagem que fiz na tua pele? O uísque cowboy é chave da noite, carregando poeira e calor nas botas. Os vaga-lumes bancando estrelas no quarto. Os insetos podem ser poéticos. Meu peito dói todas as noites, sinto que enfartaria, não tivesse apenas vinte e dois anos apenas. O que é que pesa aqui? Letras demais sem mulheres nuas. Uma taça de champanhe engana o paladar, fingindo um beijo em bolhas e brilho diamante. O que é que dói aqui ainda, não é o que mamãe sonhou, não são as dores das horas diante do grande espelho, alongando à barra, sempre buscando o movimento perfeito, sempre mais ao longe, ao longe, quase tocando o outro lado de mim, o outro lado do espelho, dançando uma valsa suspenso alguns segundos ao ar, quase voando. O joelho, as coxas, as costas, os músculos doloridos. Tenho medo da possibilidade de esquecer de ti. Permitiria isso? E eu, ainda, sempre continuo insistindo aqui. Mas onde é mesmo que eu cheguei sem chegar?
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Convescote
Eu penso em escrever aquele livro que te disse. Ou talvez ainda pintar aquele quadro. Ou dizer aquele poema. Penso tanto e a culpa é sua. Talvez não devesse beber. Talvez ainda não devesse parar de beber para pensar estas coisas. Tu dizes da distância, daquilo que ficou de nós, no chão da cozinha, preso na grama. Não tenho minhas pequenas dores para me confortar. Você pode dizer o que quiser, mas eu ouço Sufjan Stevens e não posso fazer nada com isso. Há o frio. Há sua imagem correndo sem camisa, com gelol no peito e halls preto na boca potencializando meus calafrios. Poderá ainda nevar na minha praia. Sabemos disso. O sul do meu peito não é tão profundo assim que suas palavras não possam me matar ou mesmo seus silêncios deixem de fazer eco. Apenas os diamantes são para sempre. Mas serão eles e apenas eles os melhores amigos? Não há nenhuma mulher insistindo aqui. Não hoje. Nenhum corpo nu de salto alto. As lolitas merecem, certamente, um céu melhor que aquele dos anjinhos rosinhas e rechochudos. Meu céu: uma taça de martini seco com azeitona. Não se pode prescindir do luxo das pequenas coisas. Isto não é um sonho em ritmo lounge. O que fazer se meus personagens são sempre superiores a suas histórias. Minhas narrativas no máximo dão um poema longo e hermético. Sem chaves. Estendo o pano xadrez das palavras. Não me restam peças ou refrescos. Abandonado no meio da ponte num dia de chuva, sem saber o que esperar. Poderei brincar de agente duplo sem resquícios de guerra fria ou marcas de dentes? Uma fogueira, um copo a mais e o céu estrelado para brincar de ligar os pontos. Há sempre, sim, aquelas nuvens. Não te diria que aqueles violinos me aprisionam no fim da noite. Não resto sempre aqui, preso? Insisto. Talvez algum dia escreva uma música para seus ouvidos, mesmo que jamais fique além de tocar a campainha de sua porta em ritmos criminosos no meio da noite. Isto parece tão pouco. 1664 caracteres como estas formiguinhas que resistem ao inverno, carregando as migalhas de nada.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
quase meia-noite
são selvagens. ocultos por um brilho estranho no cimento. a mão que tomba e arrasta. devassa. a mão suja invade o bolso, procura. diamantes, como sempre. actio in personam. não sobrevive. quiça sobrevive sem poder pensar. pensa no livro que deu de presente. no trem que perdeu para Paris. nas coisas que são roubadas. nos desenhos feitos no escuro de um parque. como não? me dá sua mão. não esvazia meu bolso. nem de leve. nem me toca. cuidado. outros olhos que passam e não vêem. eles nunca vem. nós sabemos. eu aqui soluçando. você, onde? no silêncio ambos. é além do meio-dia. uma volta. ou duas. é sempre o retorno que faz doer. o arquivo na bolsa, pesando em fibras nervosas. acho que devíamos ter ido ao cinema e nem parado diantes daqueles quadros tortos. será sempre a ausência de um pouco mais de luz? de um rosto menos anguloso? as linhas se abrem no asfalto, mas são sempre sinais de direção. siga. atenção. pare. que horas serão ainda? que horas será amanhã? o ponto cruzado entre dois alfinetes segura a inveja. o delírio é que bate no peito como necesssidade de um outro beijo. sabes? que sabes? não sabes. o risco suspenso, como corda esperando o pescoço.
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