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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

do que retorna X

meio descartes
meio descarte
sem cartas
na literatura a admiração efetivamente desempenha o papel de prelúdio do amor.

do que retorna XIV

Sturm und Drung

werther ao msn – verte:
um mistério indecifrável
esta primavera que me aquece o coração, mas estremeço de frio
o jardim é modesto, foi projetado por um homem sensível
melusina, reponde
em nome do céu, amigo, mantenha-os longe
dou-lhe tudo o que pede
mas não diga a ninguém
coisa bem uniforme, a espécie humana
esse sentimento me acompanha sempre
sim, ainda leio homero
Wahlheim
um anjo, ora…
ao fazer seus desejos ele se aproxima dos amantes de penélope
não, meu coração não é devasso. é apenas fraco. fraco.
wilhem?
tens ainda a lanterna mágica sem luz?
minha força de expressão é tão insignificante.
três vezes comecei o retrato de lotte e três vezes me envergonhei do esboço.
fiz-lhe apenas a silhueta, tenho que me contentar com ela.
ora… sempre resta Albert
onde estará as pistolas?
o perigo nunca se deixa ver inteiramente
paixão – embriaguez – loucura
28 de agosto
como poderia a letra fria e morta reproduzir essa flor celeste da alma?
não há nada mais perigoso que a solidão.
o homem feliz é uma invenção nossa.
8 de janeiro de 1772
sim,sou um simples viajante, um andarilho que percorre a terra
21 de dezembro
o sono dos mortos é profundo.
seja homem e não me siga.

do que retorna VII

na pressa sou dado
como fácil
dadá
não gozo
cuspo palavras
em espasmos virgulados
auto-consentidos
no fim
o poema não paga
me dá três tapas
na cara
e me joga na rua
da amargura

do que retorna VI

é meio torto
à direita
espero na fila
minha bochechas ardem
não tenho como entrar
não há mais entradas

do que retorna V

liguei para longe
acertando o jogo
de leques e sorrisos
perdi a piedade que pedi
em vermelho firo
fixo em papel
é teu corpo infinitamente que dobro
e destruo

do que retorna IV

com parcimônia
de olhos fechados
misturo minhas doses de amônia
te arranco as cordas vocais
faço três laços
arremesso

do que retorna III

odeio as voltas do mundo
degraus de igreja
minha opressora política d’arte
regur-grita
teus últimos palavrões
indi-gestos e indie-gentes
resta apenas meu telefone
ocupado

do que retorna II

odeio estes cabelos pintados
de louro
e óleo
se me metes uma arma na alma
lanço-te o inferno de dante
na cara

do que retorna I

aliso os cabelos
como verso
escovo devagar
e bem mais de perto
falo rápido
engulo minhas imagens
de som
sonhos de longe
(mais do que pensas)
que afogo num afago
quebro em mim o grito
da última palavra