Fecha os olhos daí que eu os fecharei daqui…
Pra poder receber meu beijo.
Vai que durante este propósito acontece algo…
Como um lapso no tempo, um furo no espaço…
E eu dê meu beijo…
… e você o receba.
Vestir quem está nu, se a demanda fosse algo a ser sustentado em seu sentido literal,por que não dizer “vestir aqueles que estão nus na Maison Christian Dior”? Isto acontece de vez em quando, mas, em geral, é porque justamente se começou a despi-los. Do mesmo modo alimentar quem tem fome: - porque não empaturrá-los goela abaixo? Não isso não se faz, isso lhes faria mal, eles estão acostumadosà sobriedade, não convém desarranjá-los. Quanto ao visitar aos doentes,lembrarei o dito de Sacha Guitry:- fazer uma visita sempre dá prazer,senão quando se chega, pelo menos quando se vai embora (Jacques Lacan).
Sempre tive poucos amigos e nunca duraram para sempre. Minha utopia não é um amor perfeito, mas realmente poder dizer que tenho um bom amigo para confiar, alguém que vai estar ali porque quer, não porque transaremos às duas da manhã e depois irei para casa sozinho, mas justamente porque não o faremos.
Estou me sentindo um lixo hoje, uma tristeza enorme, mal saí da cama, a vontade destruidora de chorar, mas eu não sei chorar. É o estômago que pulsa. Tudo fica meio preso entre a garganta e a idéia. Não quero pensar. Queria me esquecer. Desculpe por passear por velhos túmulos, liberando antigos fantasmas. Odeio me sentir vulnerável, é como se estivesse nu.
Estou brega. Tentei escrever um poemeto e saiu isto: queria poder sentir o toque da sua pele na minha, a fricção táctil e movente do pensamento que não pensa, o calor do teu abraço, os calafrios repentinos quando recuas, o gosto de tua boca, tão clichê, tão desgasto, mas… ainda… o cheiro de teu suor, o corpo que te inventas, deixando nossas sombras se envolverem, os olhos se perdendo e desencontrando-se no fundo dos outros olhos, os dedos tomados pelos nós se enlançando, a respiração como música, em três por quatro tempos, presto vivace, a verdade baforando misteriosa, como nunca, na nuca.