terça-feira, 12 de julho de 2011

Fecha os olhos daí que eu os fecharei daqui…

Pra poder receber meu beijo.

Vai que durante este propósito acontece algo…

Como um lapso no tempo, um furo no espaço…

E eu dê meu beijo…

… e você o receba.

Bonsoir!

Demandez-vous, alors, à française?

Quel-est le sujet pour ça?

Et ce n’est pas trop tôt!

4 de dezembro de 1957

Vestir quem está nu, se a demanda fosse algo a ser sustentado em seu sentido literal,por que não dizer “vestir aqueles que estão nus na Maison Christian Dior”? Isto acontece de vez em quando, mas, em geral, é porque justamente se começou a despi-los. Do mesmo modo alimentar quem tem fome: - porque não empaturrá-los goela abaixo? Não isso não se faz, isso lhes faria mal, eles estão acostumadosà sobriedade, não convém desarranjá-los. Quanto ao visitar aos doentes,lembrarei o dito de Sacha Guitry:- fazer uma visita sempre dá prazer,senão quando se chega, pelo menos quando se vai embora (Jacques Lacan).

Yom

Sempre tive poucos amigos e nunca duraram para sempre. Minha utopia não é um amor perfeito, mas realmente poder dizer que tenho um bom amigo para confiar, alguém que vai estar ali porque quer, não porque transaremos às duas da manhã e depois irei para casa sozinho, mas justamente porque não o faremos.

Ma'or

Estou me sentindo um lixo hoje, uma tristeza enorme, mal saí da cama, a vontade destruidora de chorar, mas eu não sei chorar. É o estômago que pulsa. Tudo fica meio preso entre a garganta e a idéia. Não quero pensar. Queria me esquecer. Desculpe por passear por velhos túmulos, liberando antigos fantasmas. Odeio me sentir vulnerável, é como se estivesse nu.

Id est

Estou brega. Tentei escrever um poemeto e saiu isto: queria poder sentir o toque da sua pele na minha, a fricção táctil e movente do pensamento que não pensa, o calor do teu abraço, os calafrios repentinos quando recuas, o gosto de tua boca, tão clichê, tão desgasto, mas… ainda… o cheiro de teu suor, o corpo que te inventas, deixando nossas sombras se envolverem, os olhos se perdendo e desencontrando-se no fundo dos outros olhos, os dedos tomados pelos nós se enlançando, a respiração como música, em três por quatro tempos, presto vivace, a verdade baforando misteriosa, como nunca, na nuca.