quinta-feira, 3 de março de 2011

sou bichinha, mas sou macho.
enfrento o corpo.
danço ballet.
todos são culpados
até que se provem
inocentes.
entre o erro e o engano
a sorte
sou lógico
talvez não burro
corro os riscos
pago o preço.
a vida é uma agiota
sem crimes.
trabalho terminado.
escrita vencida.
meu corpo esta cansado.
minha mente, vazia.
"Enche o teu copo, bebe o teu vinho,
enquanto a taça não cai das tuas mãos..."
(Ronald de Carvalho)

minha cama não me abraça. pelo chão do quarto, livros se empilham, a sapatilha sobre um dos montes retrata uma imagem possível de ser tatuada. num canto, aberta, a mala de brasília ainda resiste. é sempre tão mais difícil desfazer as malas do que arrumá-las, é tão mais fácil partir. tão mais complicado voltar e ficar. aqui. o espaço cerrado doendo e doendo. as paredes se acumulando em eras. na parede uma aquarela pode embolorar a qualquer momento. nas estantes os livros correm perigo. meu corpo é que dói. eu parei de escrever. escrevo para ignorar que posso contar os segundo na velocidade em que digito os caracteres. eu gosto de dar pequenos presentes. não peço nada em troca. me dá o que podes dar. ou o que não tens e gostarias de dar. mas você ainda nem está aqui. a taça vazia. alguém partiu ontem também. para onde foi? são paulo, campinas, rio de janeiro, fortaleza, curitiba, vitória.. qual meu destino sem mapa entre buenos aires e mendonza. é sempre mais difícil emagrecer na alma. os pensamentos sempre pesam mais que a consciência. preciso de um pouco mais de matemática. preciso arrumar as lições. de ballet. de literatura. de desenho. de nada. se você puder acreditar eu estou há mais de 50 horas sem dormir. a enxaqueca não veio. o sono não veio. os abraços também não vieram. o que veio foi a chuva. eu consegui matar um pernilongo apenas no olhar. isto deveria significar algo. mas a taça ainda continua vazia.
podemos nos esbarrar amanhã...
(seu sempre prefiro os encontros, ainda que fortuitos)
vou te roubar um beijo...
(gostaria, também de concedê-lo)
(para pedro f.)

abre a boca, sem susto, deixa eu antever o seu céu estrelado. ali, onde voz e prazer se encontram cadentes. o que se aprisiona no fundo do dente pode ser apenas uma angústia? medo incluso ou impactado. o que se prende na gengiva é sempre mais que o desejo. limalha de prata, que jóia se faz com isto. a fada do dente nunca realizou nenhum de meus pedidos, nem me deu nada em troca de meus dentes de leite. meus pensamentos sempre tem mais de três raízes. dá tua mão, deixa eu te levar para passear pela biblioteca, como quem diz destas histórias em que artérias, veias e nervos ficam apenas latentes, à espera. uma mordida pode dizer mais do que do pavor ou da fome, diz também da consistência do corpo, mas é sempre nos lábios que se encontra um beijo, que diz da consistência da alma.