quinta-feira, 3 de março de 2011

"Este rosto que é meu, porque é nele
Que o destino me dói como uma bofetada."
(Cassiano Ricardo)

os pincéis dispostos uniformemente, tentando aplacar a fúria, o vermelho quente, a mancha de dor do rosto. aquela ruga, o quê diz. que constelação se pode desenhar em minha face? eu pinto, pálpebras, maçãs, nariz... alongando os traços. eliminando o tempo. recobrindo nas camadas de pó, a carne, futuro pó. o olhar é que nunca, apesar de tudo, se altera.
comecei a ler zélia gattai.
também tenho meu chapéu para viagem.
ginvenchy.
com grande laço negro.
veremos quando vencer mais esta história.

quarta-feira, 2 de março de 2011

meu relógio diz as horas
é preciso correr
sem parar o tempo
sem suspender as leis
atravessar perigosamente a vida
sem olhar pros dois lados.
talvez não tenha ciúmes
é simples
é lógico

... mas isto não significa
que isto
não machuque.
nem sei mais chorar
pra ter os olhos vermelhos.

johnson & johnson
não me apaga mais
as imagens
que deveria esquecer

no vapor do banho
na solidão de um quarto
que poder destruidor
tem uma taça de champagne?
meu pescoço tá vermelho
o mesmo inseto de sempre
acordando minhas alergias
me lembrando que
ainda tenho um corpo
que pode reagir
ao contágio