quarta-feira, 2 de março de 2011

preciso aparar as arestas
desta angústia que rasga
para que possa rolar
feito lágrima.
daquelas vontades loucas de não
existir numa taça de vinho
quebrando a solidão
em queda-livre
na maioria das vezes
não gosto do que leio.
menos ainda do que escrevo.

terça-feira, 1 de março de 2011

sexo diz da necessidade fisiológica.
abraços, quiçá um beijo, um carinho
da psicológica.
coração:
nem tenho
sou coração gelado
seu ursinho carinhoso.
"Matou o analista e foi a Miami."
(Antonio Carlos Sechin)

o que cabe em orlando? minha vó é quem me deu um broche que alguma amiga furtou. análise: os livros empilhados sobre a mesa. análise: o corpo curvado sob o divã. uma princesa disney esconde no bolso meu brinco de diamante perdido. coloco os fones de ouvido. você espera pela ordem do dia, lady gaga. te ofereço a minha loucura usando o à prova d'água de rameau. não registrei o b.o. dos meus celulares roubados. me perdi nos números tantas vezes. prefiro o pequeno príncipe ao invés de alice. faço no máximo tricô, não tercetos. cameo. a bicúspide lateja: válvula entopida. há o vazamento de gás. o futuro incerto. alguém me compra um jornal? precisava comer. corre, vais perder o ônibus. tu brincas de voyeur, eu me exibo bancando o correspondente de guerra que não tem sombra de dúvida. não sou de capricórnio, mas escorpião com ascendente em escorpião. lua também. tem um copo de uísque para o café da manhã? as damas da noite se fecham, mas ainda afetam minha alergia. e tão proibido. esgarço a conversa: não falo de matemática. é você quem aparece dentro do apartamento do pianista ou estarás embarcando num trem com um contrabaixo? assisna o contra-cheque. dá sua resposta. passagem ao ato: embarco.
"acho que é bailarina"
(Cácaso)

o anjo que se lhe apresenta tem a face como um vitral partido. não digo se, nem mesmo ainda. sem condições. não canto. você nem me vê. já cavalguei cavalos brancos sob o orvalho congelado da manhã e, sim, eu tive frio. a pele rebentando devagar nas extremidades, o olho lacrimenjando pequenos cristais. se talvez aqui pudesse ser um palco ainda. violei a regra. alonguei o verso. contei os caracteres como quem contava os oito tempos, mas sempre perdia o ritmo. ponta. a escrita é capaz de sustentar o corpo em seus pequenos pés-de-letra? avançando devagar, sem desespero, não encontro o perigo.