terça-feira, 7 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
margerita
o sexo na praia foi horrível. muito laranja. sem nenhum pôr-do-sol. nada se punha. a não ser inúmeras pedras de gelo. as flores voavam em 190. tinha um quê de noite latina. e ouvia ao fundo Pretty Woman. saldo: nenhum copo roubado. trocar Paris por Acapulco. um ritmo de sépia. um maxilar dolorido. as pétalas de tequila se esfacelaram pelo chão. não houve beijo com sabor de cointreau. nem poderia. a altura do prédio balançava como um salto alto recém desenhado. o resfolegar de John Wayne com três piscadelas e nenhuma psicologia. o corpo se punha entre a sociopatia do copo e a psicopatologia do sal. a suor era suco de limão. o gesto cabalístico une antípodas e até um canudinho pode ser fazer aliança entre espécies hostis. sem fantasia. a necessidade de ser enquanto Madame Bo-va-ry na Bavária. sabe-se J. Bond não faz a francesa. nem poderia. falta-lhe séculos de civilização. ele a tudo responde com poker e três copas de puro Le Crystal. na casa não havia nem sequer Moet Chandon. atrás da pupilas, as beladonnas sorriam. e depois choravam. a inglesa que segurava o Oscar, belo marido, sussurrava palavras de conforto. a maquillage escoou. diva anos 40. pra ser sincero 48. sem medidas de quadril. arrisco um telefone na unha. espirro. pincelo o rosto. experimento o pó. três degrades de luzes faiscantes. rosto de zéfiro numa alma mercuriana: safo encanta os orfeus e morfeus e embriaga a noite. céu sem estrelas. sem voz o corpo acorda no dia seguinte. pior que a ressaca, só a filosofia. a reflexão do espelho diz do que resta. eis o fundo. do copo.
sábado, 4 de julho de 2009
platão
esse primitivo abraço da imagem emoldurada. digestão. elaboração. imagem. em mágica. sobre o ombro sócrates seduz eros que se deita sobre a maca. abre o peito. não há nada. sobre o livro os olhos abrem e vêem nada. arcos bem feitos de uma catedral futura se armam e se esquecem. ali. na imagem cercada de silêncios e assonâncias. ritmo de um amor que não veio. sem lirismos. sem qualquer opera-drama. sem voz. há um dilaceramento na história. um romance sem páginas. não houve. nada há. a agua que escoa do fundo oco da fonte. a musa, o monte. o esquadro e a mesas das luzes. um século no escuro. desenha a figura do homem que sofre. o censor anota as páginas e recomenda. biblioteca. no quadrado da imagem: o escuro. o homem está tomando banho. o pathos que se perde. nunca houve. há o dado teórico e a imagem barroca da sedução. e te escondes. e me viras. e devolves. e replica. um filósofo de necrotério. a literatura e os cadáveres. as gaveta do IML. o médica respira a ares de melancolia. o arquiteto (me) sorri e se esconde, rubro. e aqui. e ali. digo da excusa. os mosquitos kantianos da dúvida. os mosqueteiros da jurisprudência. enleva-se a imagem. quadro sacro para o devir. três goles de lágrimas. um pouco de tinta. um cinzel.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
olhos de meia-noite da bailarina
em suas curvas e rímel
abre-se n’um arranha-céu
de pó e rubor
anota-se em quadro
enquanto em cores
a coisa ali, bem ali
se faz e se foge
atrás da moldura
embalada pelas coxas abertas
bem leves
bem retas
sem gravidade alguma
sem palavra alguma
e acontece
num corpo que se destrói
engrenagens de dor e lampejo
enquanto a chuva escorre
lava quadro e rosto
de cabelos molhados
a ponta se perde
no vermelho lampejo que se solta
da fita de coque
que se abre como coração
n’uma bandeja
e respira
anotando
o corpo que entre 1 e 8
se perde
para se encontrar em arte
em suas curvas e rímel
abre-se n’um arranha-céu
de pó e rubor
anota-se em quadro
enquanto em cores
a coisa ali, bem ali
se faz e se foge
atrás da moldura
embalada pelas coxas abertas
bem leves
bem retas
sem gravidade alguma
sem palavra alguma
e acontece
num corpo que se destrói
engrenagens de dor e lampejo
enquanto a chuva escorre
lava quadro e rosto
de cabelos molhados
a ponta se perde
no vermelho lampejo que se solta
da fita de coque
que se abre como coração
n’uma bandeja
e respira
anotando
o corpo que entre 1 e 8
se perde
para se encontrar em arte
quinta-feira, 2 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
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